quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Barata

Eu estava desenhando e andando pela casa e em algum momento eu cruzei com um monstro.
Parecia a barata mãe de todas as outras que já estiveram aqui.
Cada barata que entra na minha casa é trinta por cento maior que a anterior. Calculando pela frequência com que as baratas tem entrado aqui nesse último verão, em dois meses eu vou precisar de um revólver.
Insetos não eram bichinhos? Essa tinha várias pernas, todas cabeludas, cabeça, tronco (tudo visível) e um organismo aparentemente tão forte quanto de quem mamou até os quatro anos.
Praticamente um mamífero.
Eu juro que era enorme, juro. E qualquer dia desses eu tenho certeza que uma dessa vai tocar a campainha.."Olha só, é que eu não passo mais debaixo da porta..."
Não tenho uma foto dessa, mas quando elas estiverem de um tamanho razoável, eu peço pra gente tirar uma abraçada.

Se eu fosse médica...


Tentei aproximar ao máximo a minha situação atual de como seria se eu fosse médica.

Primeiro eu teria que atender 30 pacientes por dia, todos de uma vez, só na parte da manhã. Só que todos eles têm os dois braços e as pernas e eu tenho que ficar gritando tudo o que está escrito na receita pelo menos umas três vezes pra cada um, enquanto um enfermeiro lê revistinha e outro reclama do dono do hospital.
Depois eu tenho que chegar do trabalho, almoçar correndo, e mandar os enfermeiros preguiçosos limparem todas as próteses que eu fiz durante o dia.
Enquanto isso, o chefe chega dizendo que eu preciso ver três pacientes que vão ter alta amanhã mas ainda estão com esse problema no olho. E eu digo: "Mas eu sou fisiatra, eu não entendo nada de olho!". E ele te dá um manual de 200 páginas e diz que tudo vai dar certo. Então quando você diz "pronto, então só me dá um bisturi...", e eles dizem: "bisturi? Nós não temos bisturi, precisa de bisturi mesmo?"
E outro diz: "Dá uma olhadinha nessa perna, ela não está um pouco diferente da outra? O que você acha de refazer, mesmo que o paciente esteja andando?".
E outro: "Eu não posso fazer nada, não tem agulha, eu não trabalho..."
Depois de operar três olhos e descobrir onde os enfermeiros guardaram as próteses limpas, eu preciso mandar essas próteses pra São Paulo. Só que a pessoa que vai receber as próteses não sabe encaixar nos pacientes.
No fim do dia eu já estou exausta e com vontade de deixar morrer alguém, chega um médico de 60 anos que é o oftalmologista do hospital (e eu não entendo porque é que fui EU que operei os cegos) e pede por favor pra que eu fique até mais tarde mostrando pra ele como é que trabalha um fisiatra.
E eu penso: "Assim..."
No fim do dia eu penso: "Pra que que eu fui estudar? Devia ter parado quando dava tempo, nada disso estaria acontecendo. Devia ter ouvido a minha mãe e sido animadora."
Ou não.

domingo, 14 de junho de 2009


Os beagles são os melhores. Eles chegam com aquelas orelhas desproporcionalmente grandes e sujas de leite, e você nunca imagina onde é que isso pode chegar. Eles começam com os sapatos, depois os móveis, a casa, a sua família, e quando você vê eles já destruíram todas as coisas que poderiam disputar a sua atenção.

Aí você alimenta aquele organismozinho impaciente com kgs de ração até que ele toma tamanho suficiente pra virar uma lata de lixo. Desse dia em diante você percebe que o seu beagle ainda nem é adulto e já carrega um estômago extremamente capaz de receber todos os seus objetos preferidos e mais alguns que você nem sabia que existiam dentro da sua casa.

E, a essa altura, a casa nem é mais sua. As latas de lixo tem que ser de difícil acesso, mesmo pra você, e ninguém nunca mais vai poder comer carne vendo televisão.

E eles continuam descaradamente encantadores com o passar dos anos. Com aquela cauda alegre sempre pro alto e aqueles zilhões de pêlos coloridos (necessários pra esconder um estômago infinito e um fígado aparentemente de ferro) que vão estar quase sempre em maior quantidade pela casa do que no corpo dele, de fato.
Aí depois de 14 anos eles morrem, e você descobre que nunca mais vai precisar de outro cachorro.
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Ao meu cachorro, que chegou quando eu ainda era filhote e dedicou a vida inteira aos poucos momentos que eu dediquei a ele.
Que morou na nossa casa, e destruiu boa parte das coisas que tínhamos dentro dela. Mas que, em momentos piores, era a única coisa que fazia com que ela parecesse um lar.
E que aceitou a nossa família como se ela fosse um família mesmo.

segunda-feira, 1 de junho de 2009


Todos os vizinhos do meu andar criam gatos. Detesto gatos. Ninguém pode, na verdade, gostar sinceramente de cães E gatos. Você pode ir levando, praticando a boa vizinhança, mas uma hora ou outra você vai ter que escolher.
Meu cachorro foi expulso do meu prédio por causa dos latidos excessivos, e com toda razão. Eu trabalhava o dia todo e ele estava velho demais pra se acostumar com as novidades de outra rotina.
Fiquei mesmo muito triste de perder esses últimos anos de convivência que teríamos, mas tenho que concordar com o incômodo que é um animal desesperado e barulhento latindo o dia todo. Penso que esse incômodo seria bastante reduzido se todos nós trabalhássemos fora por pelo menos algumas horas do dia, mas o fato é que meu apartamento é cercado de senhoras solteironas que passam a maior parte do dia dentro de suas casas, criando gatos e olhando pelas suas janelas.
Eu não tenho uma implicância real com as solteironas, eu mesma às vezes acho que não tenho outra escolha na vida. O que me incomoda, de fato, são os gatos. Uma vez eu cheguei em casa de madrugada, depois de uma daquelas noites em que você decide nunca mais sair com nenhum cara, e tinha um gato sentado bem no tapete da minha entrada.
Eles sabem.

domingo, 3 de agosto de 2008

E essa aí é minha casa. Grande, né?

Esse é o Golden Tulip, meu lugar preferido de São Paulo. Frei Caneca, não lembro o número. É perto do metrô, ninguém reclamou do barulho das festas e fica pertinho da sinuca e totó. Pebolim, desculpem-me.
Um espetáculo de lugar.
Bu!!! Cheguei.